segunda-feira, 16 de junho de 2014

Lipoaspiração: A culpada inocente

Anabolizantes, drogas e redutores de apetite são os verdadeiros vilões das cirurgias plásticas

Segundo a última pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica (Isaps), a lipoaspiração é a 1º cirurgia plástica mais realizada no mundo. Nos últimos quatro anos foram realizadas 211.108 operações só no Brasil.

Essa cirurgia, que tem ótimos resultados, ganhou a fama de ser perigosa, complicada e arriscada. Assim, como qualquer outro procedimento cirúrgico, a lipoaspiração apresenta alguns riscos. Por isso, alguns cuidados devem ser tomados pelo paciente, entre eles a atenção com o pré e pós-operatório.

"Antes de falar que a lipoaspiração é uma cirurgia de alto risco, é preciso verificar se o cirurgião plástico é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), se o hospital tem estrutura para a realização da cirurgia, se o paciente tem condições físicas para realizar a lipo, se fez os exames e se seguiu corretamente as instruções do pré-operatório", explica o cirurgião plástico Dr. André Colaneri. Caso não haja o cumprimento de algum dos itens acima, a lipoaspiração pode se tornar uma cirurgia arriscada.


Sempre a verdade

Para evitar qualquer tipo de complicação, o paciente deve ser muito honesto com seu médico e não esconder nenhuma informação importante, como o uso constante de substâncias químicas.

O pré-operatório deve ser seguido a risca e qualquer alteração ou descumprimento das instruções do cirurgião deve ser informada a ele.

O paciente também deve realizar alguns exames, como hemograma completo, dosagem de potássio, sódio, glicemia, ureia, eletrocardiograma, teste de gravidez e coagulograma. "Se o especialista não solicitar os exames pré-operatórios, desconfie, pois eles são de suma importância", afirma o Dr. André Colaneri.

Anabolizantes e redutores de apetite

Se o paciente fizer uso constante de esteroides anabolizantes, é imprescindível que ele informe isso ao seu médico. Além dos inúmeros efeitos colaterais como aumento do crescimento de pêlos, alteração do timbre da voz, aumento das mamas nas mulheres e atrofia do volume testicular nos homens, esse tipo de substância pode acelerar o ritmo cardíaco do usuário, o que pode transformar uma cirurgia simples em um procedimentos de risco. Já os medicamentos para emagrecimento devem ser abandonados 15 dias antes da operação.


Drogas lícitas e condutas

Outra informação importante que não deve ser omitida pelo paciente é o uso de medicamento para controle de doenças crônicas como hipertensão ou diabetes para que o especialista possa orientá-lo antes de fazer a cirurgia. É extremamente proibida a ingestão de medicação que contenha ácido acetil salicílico uma semana antes e uma semana depois da cirurgia, porque a substância afina o sangue, fazendo com que o sangramento seja maior.

Qualquer doença crônica deve ser avisada, pois para a realização da lipoaspiração o paciente deve estar com uma boa imunidade. A pessoa que deseja fazer a cirurgia deve fazer um jejum de oito horas, sem ingerir nenhum tipo de alimentação nem líquidos, inclusive água. "O preparo do pré-operatório é importantíssimo para o sucesso da lipoaspiração. Portanto, se o paciente fez uso de drogas, tabaco, medicamento com ácido acetil salicílico e medicações para emagrecer, ele não deve ter vergonha e deve comunicar o especialista. A relação médico-paciente deve ter como pilares a confiança e a sinceridade", ressalta o cirurgião plástico.

O uso de anticoncepcional hormonal deve ser evitado durante o mês que antecede a cirurgia, pois, caso contrário há risco de trombose. Além disso, não se deve fumar em um período de 30 dias antes e 30 dias depois da cirurgia, pois o tabaco dificulta a cicatrização.

Drogas ilícitas

O questionamento e a rotulação da cirurgia provêm da divulgação de casos mal sucedidos. Porém, nem sempre são apuradas as causas das complicações que alarmam os interessados na cirurgia e, muitas vezes, o problema é o consumo de drogas ilícitas como cocaína, ecstasy e LSD.

Essas substâncias colaboram para o fracasso da cirurgia, tornando-a mais arriscada e perigosa. "As pessoas costumam usar essas drogas ilícitas esporadicamente e por isso, acabam achando que é irrelevante informar o médico, quando na verdade é imprescindível que o especialista seja informado da última vez que a pessoa fez uso das drogas", finaliza o Dr. André Colaneri.


Nenhum comentário:

Postar um comentário