segunda-feira, 2 de junho de 2014

Tireoidite do pós parto

Estudo realizado pela endocrinologista Maria Fernanda Barca, especialista formada pela USP, aponta que gestantes têm sete vezes mais chances de apresentar uma tireoidite de Hashimoto no pós-parto e os sintomas podem ser confundidos com depressão

Cansaço, quadros depressivos, desânimo, falta de concentração e excesso de peso podem ser indicações de uma doença que afeta, principalmente, mulheres entre 20 e 40 anos: a tireoidite de Hashimoto (uma doença autoimune, caracterizada por um erro no sistema imunológico). No pós-parto, mesmo mulheres sem doença de tireoide podem evoluir com quadro de excesso de função (Hipertireoidismo) ou evoluir direto para Hipotireoidismo, quando a glândula produz menos hormônio, podendo levar à tireoidite de Hashimoto.


Um estudo realizado pela endocrinologista Maria Fernanda Barca, especialista pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), mostrou que, no pós-parto, mulheres que apresentaram alterações ao ultrassom e ou anticorpos contra a tireoide positivos, têm sete vezes mais chances de desenvolver tireoidite. "Durante a gravidez, o sistema imunológico fica alterado para não haver rejeição ao feto. Quando o bebê nasce, os anticorpos voltam à ativa e eles podem investir contra a tireoide como se esta fosse um órgão estranho - "inimigo" - causando uma inflamação", explica a endocrinologista. "Isso pode acontecer já do 1º mês até um ano pós-parto e pode evoluir para a tireoidite crônica de Hashimoto".

O estudo que fez parte da tese de doutorado da médica, foi publicado na revista Clinical Endocrinology e contou com a participação de 800 grávidas, das quais no pós-parto 13,8% apresentaram como positivo o exame de sangue que detecta a presença dos anticorpos anti-Peroxidase (anti-TPO) e alterações no ultrassom de tireoide. "Foram fatores determinantes que mostraram a predisposição para desenvolver a doença autoimune, a tireoidite pós-parto seguida de tireoidite de Hashimoto", afirma a especialista.

Por isso a importância de um ultrassom bem feito. Segundo a dra. Maria Fernanda, antes de apresentar alteração sanguínea, algumas mudanças já podem ser percebidas no diagnóstico de imagem com o acompanhamento desde a gestação.


"No estudo, identificamos também que das grávidas que desenvolveram a tireoidite pós-parto, por exemplo, 60% regrediram e 40% evoluíram para a doença de Hashimoto, diz a endocrinologista.

Nestes casos, a especialista indica o uso de métodos paliativos que podem contribuir significativamente para a qualidade de vida da mulher, tais como betabloqueadores, selênio e antidepressivos e quando necessário o uso de hormônio da tireoide (Levotiroxina).

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