quinta-feira, 24 de julho de 2014

Dieta do Mediterrâneo volta a chamar a atenção dos cientistas

Estudos mostram que a dieta reduz diabetes, problemas cardíacos, hipertensão e ainda ajuda a perder peso

São Paulo, julho de 2014 - Em novembro de 2010, a Dieta do Mediterrâneo foi incorporada na lista representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. Rica em cereais integrais, legumes, hortaliças, frutas, peixes e azeite de oliva, a dieta inclui ainda o consumo de uma porção de "nuts" (sementes) por dia e uma ou mais taças de vinho tinto ao dia. Essa "receita" há anos é preconizada para uma vida mais saudável. Mas uma pesquisa recente mostrou que a dieta, aliada a atividades físicas diariamente, reduz doenças cardiovasculares, diabetes, pressão alta, circunferência abdominal e ainda ajuda a perder peso.


O estudo, chamado Predimed, tem duas fases. A primeira foi apresentada no European Congress of Endocrinology, na Polônia, em maio e no Congresso Português de Cardiologia, em abril. Os cientistas comprovaram que as pessoas adotaram este estilo de vida diminuíram em 52% a prevalência de diabetes e de doenças cardiovasculares, com redução da hipertensão.

"A continuação deste estudo, o Predimed Plus, que foi apresentado no 21º Congresso Europeu de Obesidade, também em maio, mostrou que os resultados estão sendo ainda melhores, se comparados com o anterior. Neste, reduziu-se a ingestão calórica em 600 calorias ao dia em relação à anterior, que não havia restrição calórica, com diminuição do vinho para 4 a 8 taças por semana e 1 litro de azeite ao mês. Já nos primeiros 6 meses houve uma redução de 0,5 a 1kg de peso corporal e de 0,5 a 1cm na circunferência abdominal por semana dos participantes", diz a endocrinologista Maria Fernanda Barca, de São Paulo.

Como foi a pesquisa

O estudo acompanhou 7.447 pessoas, sendo homens (entre 55-80 anos) e mulheres (entre 60-80 anos), com IMC entre 27-40kg/m² e alto risco de apresentar doença cardiovascular, diabetes tipo 2 e fatores de risco (colesterol elevado, pressão alta, fumo, sobrepeso, obesidade e histórico familiar). Foram divididos em três grupos: controle (dieta com baixa quantidade de gorduras), dieta mediterrânea (com grande ingestão de nuts - 30g/dia) e dieta mediterrânea (com consumo de 1 litro de azeite de oliva/mês). O tempo médio de acompanhamento foi de quatro anos. Não houve restrição calórica ou aumento de atividade física. Em um ano, observou-se a diminuição na prevalência da síndrome metabólica, em ambos os grupos que realizaram a dieta mediterrânea, com queda da pressão arterial, diminuição da circunferência abdominal, diminuição dos triglicérides e diminuição da resistência insulínica. Em dois anos, notou-se a diminuição na espessura da parede interna da carótida, quando comparada com o grupo controle (dieta com baixa quantidade de gordura preconizada pela American Heart Association), significando uma diminuição da placa de aterosclerose. Em quatro anos, notou-se diminuição na incidência de diabetes tipo 2 (de 17,9 no grupo de controle para 10,1 no grupo com azeite e para 11,0 no grupo com nuts). "Quando os grupos mediterrâneos foram agrupados e comparados ao grupo controle, houve um redução da incidência de 52% na redução de marcadores inflamatórios ligados ao desenvolvimento de diabetes e de doenças cardiovasculares e também redução de infarto, derrame e morte por doença cardiovascular de 11,2 no grupo controle para 8 nos grupos da dieta mediterrânea. Nos grupos mediterrâneos, o risco para infarto também diminui em 40%", diz o cardiologista Mucio Tavares, do Incor de São Paulo.


Outras estrelas da dieta

Oleaginosas (nozes, amêndoa, pistache, castanhas): excelentes fontes de proteínas e possuem ácidos graxos mono e polinsaturados.

Leguminosas (feijões, grão de bico, lentilha, soja e ervilha): são ricas em fibras que ativam o funcionamento intestinal e diminuem a absorção do colesterol e também fazem com que a digestão seja feita mais lentamente, mantendo os níveis de glicose e insulina estáveis no sangue, protegendo contra o diabetes.

Cereais integrais (pães, arroz, grãos, massas): são carboidratos complexos, ricos em fibras, vitaminas e minerais como as dos complexo B, vitamina E e selênio.

Leites e derivados: fonte de cálcio e proteínas, fortalecem a estrutura óssea e os lactobacilos vivos presentes nos iogurtes equilibram a flora intestinal, combatendo os microrganismos patogênicos e melhorando a imunidade do organismo.

Azeite de oliva: é rico em fenóis (antioxidantes) e ácidos graxos monoinsaturados, que ajudam a reduzir o colesterol LDL.

Peixes e carnes brancas: são fontes de proteínas, ferro e minerais, além de conterem ácido graxo e ômega 3.

O que vocês acharam dessa dieta?


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