quinta-feira, 12 de março de 2015

Violência em festas, de quem é a responsabilidade e o que fazer nessa situação?

Um tema muito comentado nos últimos dias foi a morte do estudante da Unesp de Bauru, Humberto Moura Fonseca de 23 anos, depois de ingerir muita bebida alcoólica durante uma festa organizada pelos alunos. Além de alto consumo de bebidas alcoólicas e drogas, muitas vezes tais festas terminam com discussões, brigas, abusos sexuais e morte

Fonte: Google
Mas será que existe algum tipo de proibição ou punição em um caso desses? Entrevistei a Dra. Lourdes de Paula Gomes, psicóloga da FACIS (Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo) para saber o que pode ser feito tanto pelo aluno quanto pela universidade e quais limites podem ser impostos. Confira!

Tatiana: Como as universidades podem incentivar os alunos a fazer trotes solidários ou trotes mais saudáveis?
Dra. Lourdes: A Universidade é um agente de transformação social além disto é o útero de onde saem pesquisas científicas tão específicas que na maioria das vezes nem sabemos delas, por isto é absolutamente capaz de incentivar movimentos criativos e saudáveis.
É preciso lembrar que a admissão em uma faculdade é um rito de passagem importantíssimo para os nossos jovens, que lutaram bravamente e as vezes dolorosamente para fazer parte dos escolhidos.
É o resultado desta luta, desta disposição para o “vir a ser” precisa ser comemorada com alegria, riso e confraternização, sobretudo em um país cujo número de vagas nas boas faculdades estão muitíssimo aquém de nossas necessidades.
É preciso portanto festejar, sorrir, cantar, pular, ser parabenizado, sentir o gosto da vitória dentro e fora de forma calorosa estes nossos heróis que por no mínimo seis anos percorreram o caminho em busca do conhecimento, buscando instrumentos através dos quais contribuirão para o bem estar social.
Precisamos mesmo, sem sombra de duvida é de proteção e segurança para que estes nossos neófitos passam festejar esbanjando alegria, sem o risco de se deparar com a violência ou a morte.
É na universidade onde deveríamos aprender que o processo educacional desde seu início até o final (“sem e existe”) deve ser desenvolvido baseado na proteção, criatividade e segurança.

T: Qual deve ser o papel da universidade na hora de punir o aluno agressor?
L: A universidade obedece a seus Estatutos e Regimento interno que normatizam suas ações em relação a todas a áreas que a compõe. E uma punição só pode ser aplicada quando se infringe um dos princípios reguladores previsto neste documento. O aluno como membro discente está sujeito a punições e restrições quando transgride qualquer norma que constituem esses Regimento e Estatuto que prevê de forma legal o equilíbrio que a instituição deve manter. E é baseado neste Regimento seguindo, todos os protocolos previstos que a universidade pode punir o aluno, convém lembrar que mesmo com seu regimento a Universidade não está acima da lei, portanto só pode agir dentro dos limites estabelecidos por seu Regimento, devidamente aprovado pelo MEC (Ministério da Educação), da legislação educacional que regulamentam o ensino no país.

T: Como o aluno que sofreu uma agressão pode lidar com a situação e procurar ajuda correta?
L: Cada violência repercute tanto física quanto psicologicamente no ser humano. Atualmente as manisfestações agressivas e destrutivas têm sido muito constante nas mais diversas áreas de atuação do ser humano e tem deixado marcas dolorosas resultando em síndrome do pânico, fobia social, ou transtornos pós-traumáticos. Baseados na consciência de que as estatísticas relativas a estes transtornos tem crescido de forma quantitativa assustadora, a atitude mais adequada para dar continência aquele que foi agredido é viabilizar meios para que o mesmo receba tanto cuidados médicos específicos e também psicoterapêuticos para que o aluno possa sentir-se seguro, readquirir confiança e princípios morais para se relacionar consigo mesmo e com o meio que o rodeia.

T: Muitas vezes, nessas festas ocorrem agressões e violência com garotas. Se houver pressão ou intimidação por parte do agressor ou pessoas ao seu redor, qual deve ser a atitude da universidade e da vítima?
L: Todas as agressões e violências devem ser contidas e devidamente punidas se transgredirem a lei e da ordem. Nenhum ser humano pode ser submetido à pressões e intimidações para agir contra seus princípios morais, contra seu senso critico. A vitima pressionada deve denunciar de forma clara e objetiva aos órgãos competentes sejam eles universitários ou não, a coação sofrida e consequentemente o assedio moral decorrente do ato equivocado. Alem de denunciar deve procurar proteção pessoal e legal necessárias para que possa desenvolver suas atividades acadêmicas tranquila e adequadamente.
A Universidade cabe fazer cumprir as sanções que seus Estatutos e Regimento estabelecem para cada transgressão em questão. E cabe ainda a Universidade proporcionar ao aluno acuado, pressionado e intimidado proteção e segurança para que o mesmo possa acessar e desfrutar de todos os benefícios disponíveis a todos os alunos no meio universitário a que pertencem.

T: Proibir bebidas alcoólicas e melhorar a fiscalização dentro das festas organizadas dentro da universidade deveria ser uma obrigação das próprias universidades?
L: Bebidas alcoólicas são proibidas dentro da Universidade, proibir o proibido é redundância. O que é importante é que o fato da Universidade possibilite proteção e segurança aqueles que acolhe em seu seio, possibilitando que todos possam fazer escolhas criativas e construtivas independente de se a ocasião é festiva ou formal.
A Universidade é co-responsável por todas as ações que envolvem o corpo discente. O corpo docente é corpo técnico administrativo quando os mesmos desenvolvem suas atividades no espaço físico que a delimita.

Fonte: Google
Ficou com alguma dúvida e quer fazer mais alguma pergunta à Dra. Lourdes, deixe o seu comentário que responderemos.

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