terça-feira, 7 de julho de 2015

Falta de Vitamina D afeta a fertilidade

Há uma relação direta entre a vitamina D e a fertilidade masculina. Isso é o que mostra um estudo realizado pelo médico Martin Jensen Blomberg, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, que também integra o Departamento de Crescimento e Reprodução do Rigshospitalet, na mesma cidade. A novidade foi apresentada na segunda quinzena de maio, durante o Congresso Europeu de Endocrinologia, realizado na Irlanda.

A pesquisa, que contou com a participação de 330 homens inférteis, também foi publicada na revista científica Nature Reviews Endocrinology e mostra que a vitamina D melhora a motilidade dos espermatozoides. Isso ocorre porque esta vitamina regula o modo como o corpo absorve o cálcio dos alimentos. A suplementação com este nutriente mostrou um rápido aumento na concentração de cálcio das células reprodutivas masculinas, o que melhorou a movimentação do esperma, facilitando a fertilização do óvulo.

Fonte: Google

O estudo também conseguiu provar que as células de homens férteis e inférteis apresentam diferenças importantes no que diz respeito a uma das proteínas responsáveis pela absorção da vitamina D - os que têm limitações reprodutivas motivadas pela baixa qualidade do sêmen não têm estas proteínas no esperma.

Além de contribuir para o tratamento de casais sem filhos, Martin Jensen Blomberg explica que a descoberta também pode ser útil para a reprodução assistida, uma vez que a suplementação de vitamina D permitirá a seleção das melhores células do esperma, aumentando as possibilidades de gravidez.

A vitamina D também é essencial para a absorção de fósforo que, ao lado do cálcio, é a matéria-prima dos ossos. Níveis insuficientes podem levar à osteoporose e osteomacia (condição mais grave, em que o osso fica extremamente frágil e se parte). Descobertas recentes mostram que a vitamina D equivale a um hormônio com ação importante em diversos órgãos e tecidos.

Cerca de 70% das pessoas possuem no organismo quantidades de vitamina D menores do que o necessário, o que pode levar a uma sensação de desânimo, sonolência, excesso de peso, dificuldade de concentração e memória, alterações de humor e sinais de depressão. Na gestação, a falta de vitamina D pode provocar pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e ossos fracos no bebê.


Segundo a endocrinologista Maria Fernanda Barca, de São Paulo, uma ampla revisão de estudos científicos feita pela Sociedade Americana de Endocrinologia revelou que a vitamina D age no coração, no cérebro, nos músculos e nos mecanismos de proliferação e inibição de células, entre outros sistemas do corpo. “Trabalhos mais recentes também mostraram que níveis baixos de vitamina D no organismo estão relacionados ao surgimento de um problema chamado resistência à insulina. A reposição melhora o funcionamento do sistema imunológico e contribui para a perda de peso”, diz a médica.

Sobre a Dra. Maria Fernanda Barca

Doutora em Endocrinologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, é membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, da The EndocrineSociety, nos Estados Unidos, e da EuropeanThyroidAssociation. Entre 1999 e 2010, foi médica colaboradora do Grupo de Tireóide do Departamento de Endocrinologia do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo. Também foi professora do curso Progressos em Tireoidologia, do Programa de Pós-Graduação em Endocrinologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (de 1999 a 2009).

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